Todos os textos deste blog - salvo as citações, reblogs e os que tenham fonte - são originais e escritos por mim.

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Ensaio sobre o calor

O calor estava extremo naquele dia. Minha apatia era tanta que fazia alguns dias que não olhava o céu, e deu no que deu. Não vi nuvens, ou estrelas, nem sol e nem lua - era só poluição, por todos os lados. Era uma fumaça quase imperceptível, não fosse o cinza da cidade. Estava seco, eu não podia falar ou sequer respirar e a água estava acabando. De maneira abrupta, minha mente falou comigo: eu vou morrer.

Minha vida não ia pra frente, nem recuava. A única coisa que se movia, na verdade, eram as hélices do ventilador no meu quarto. Senti falta do meu cigarro no mesmo segundo em que tive ânsia de vômito ao pensar em fumar.Eu estava condenada, era o meu fim. Eu não podia mais comer, também. Meu organismo me boicotava, e testando a paciência dele - e minha capacidade de aguentar dores físicas - eu tomava cerveja aos baldes. Que visão, que visão.

Eu recebi vários elogios naquela semana. Coitados, se pudessem me ver de dentro pra fora eu jamais receberia sequer uma olhadela mais interessada. Nem meu cigarro me queria. Minhas olheiras estavam tão grandes que tenho dúvidas se não foram de fato elas que quebraram meus óculos. Não tenho vergonha de dizer que trocaria meus óculos quebrados por um par de calças que se importasse minimamente em me dar um sexo impressionante.

Passei o dia suspirando meu cansaço pelos cantos. Tossindo resquícios de tristeza, fungando pelo excesso de culpa, suando de tanta vontade de transar. Ninguém notou.

O umidificador foi o único que me olhou tempo o suficiente pra sacar minha história. Ele sabia. Teria que matá-lo, quando aquele tumor de calor chegasse ao fim.

Nada de importante nessa história. Foi só um dia, todos sabemos que o mundo não acaba em um dia.

heavenhillgirl:

Alphaville (1965), Jean-Luc Godard

(via psychetronictonic)

Life is pretty lonely, isn’t it?

Eu sinto muito, mas eu não sinto nada | Clara Averbuck →

”[…]

não tem sangue pra jorrar, não tem coração pra bater, não tem porra nenhuma há anos.

Eu até tentei mentir que tinha e só consegui sentir ódio. Ódio de mim, ódio daquilo tudo onde eu tinha me metido nem sei como e uma frustração inenarrável.

[…]

Eu sinto muito, mas eu não sinto nada.”

É perigoso não sentir.

Olhar parado e coração vago podem fazer mal à saúde, tanto quanto transbordar por qualquer motivo bobo.

Mas talvez seja pior, mesmo, não sentir.

Vazia, essa vida.

Por isso meu inconsciente procura confusão, pra tentar enriquecer meu ser.

Mas não; no final não me importo muito.

Não sentir é o ápice do ser contemporâneo.

Many people believe every age marks something significant, that you should accomplish a certain something by a certain time. Your first kiss, losing your virginity, getting married. Learning to drive, knowing what you want to be, succeeding in your goals. But that’s not true. Let things just happen. Make sure you’re ready. Stay wise. Give yourself time to develop. There is no rush to live.

— Unknown (via 90377)

(Source: the-taintedtruth, via psychetronictonic)

I do not write poetry; I take words and dip them in feelings.

— Arti Honrao (via observando)

(via psychetronictonic)

Essa música é um lembrete.

Eu ouvia voltando do trabalho, achava que era proibida porque minha dor se expandia, tomando meu corpo por inteiro. Eu não era mais a mesma, tudo latejava

parecia que não ia acabar nunca, o ar ia saindo

eu ia morrendo.

Mas ela não é vilã. Vilanisse é não me deixar ver o céu.

Essa música é meu céu me acalmando aos poucos e me dando de volta o que eu perdi nesses últimos tempos

Esperança, calma, pó de nuvem

Ar.

The more I look, the more I feel that I’m starting to disappear.

— Keane, CRYSTAL BALL

We are very, very, pissed off.

(Source: god-body, via psychetronictonic)